EXISTIU UM IMPÉRIO HITITA NO BRASIL?

Texto inédito de Gabriele Baraldi (1994)


DEUSES HITITAS

Por toda América do Sul onde pesquisei, ainda persiste o eco da "profecia" dos antepassados ameríndios. No Nordeste brasileiro os Cáryryia Aryia (Cariri Velhos), sempre afirmaram que nos escritos dos avós havia uma "grande mensagem". Relação de uma Missão do Rio São Francisco" (1706) Pe. Martin de Nantes/Pe. Theodore de Lucé). A "relação" é muito importante para a História do Brasil, por ter acontecido após o massacre da "Confederação do Cariri" (vide bandeirante Francisco Dias de Ávila, entre 1671/91).

Esta confederação de ameríndios nomeada de Cariri pelos conquistadores, era composta por povos com o nome de: Tamaquí (oeste da Paraíba), Tapuia (margem esquerda do rio São Francisco), Guargéia (rios Pajaú, São Francisco e Salitre), Paiaiá (rio São Francisco), Tomimó (rio São Francisco), Gualachos (Ilhas do rio São Francisco), que defendia o último templo místico de sua civilização (uma gruta Sagrada), pois tanto a Ilha do Bananal (rio Araguaia), como Os Martírios (rio Tocantins), estavam mortos.


Por toda América do Sul onde pesquisei, ainda persiste o eco da "profecia" dos antepassados ameríndios. No Nordeste brasileiro os Cáryryia Aryia (Cariri Velhos), sempre afirmaram que nos escritos dos avós havia uma "grande mensagem". Relação de uma Missão do Rio São Francisco" (1706) Pe. Martin de Nantes/Pe. Theodore de Lucé). A "relação" é muito importante para a História do Brasil, por ter acontecido após o massacre da "Confederação do Cariri" (vide bandeirante Francisco Dias de Ávila, entre 1671/91).

Esta confederação de ameríndios nomeada de Cariri pelos conquistadores, era composta por povos com o nome de: Tamaquí (oeste da Paraíba), Tapuia (margem esquerda do rio São Francisco), Guargéia (rios Pajaú, São Francisco e Salitre), Paiaiá (rio São Francisco), Tomimó (rio São Francisco), Gualachos (Ilhas do rio São Francisco), que defendia o último templo místico de sua civilização (uma gruta Sagrada), pois tanto a Ilha do Bananal (rio Araguaia), como Os Martírios (rio Tocantins), estavam mortos.

No Brasil, José Sarney, deitou-se uma noite como vice-presidente do país e acordou presidente, no mandato sucessivo, o impeachment do presidente Collor, transformou o vice-presidente no presidente Itamar Franco. Que sorte! Alguns estudiosos procuram uma explicação racional à sorte, alegando que ela é composta de determinação, entusiasmo, muita paixão e, capacidade mental, usando os dois hemisférios simultaneamente. Talvez!

O arqueólogo britânico Richard Burton, que vinha de uma frustrada expedição na África a procura das fontes do rio Nilo, já embaixador britânico no Brasil, percorreu no século passado o rio São Francisco, seduzido pela narrativa do Documento 512 da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, a procura de uma cidade perdida, não teve sorte.

Entre 1906/1914, o coronel Percy Fawcett, percorreu o Brasil, fazendo levantamentos topográficos e situando as verdadeiras fronteiras entre Bolívia e Brasil, a serviço da Real Sociedade Geográfica Britânica. Mas foi em 1925 que o experimentado militar Fawcett, seu filho Jack e um amigo desde, Raleight Rimmel, seduzidos pela Cidade Perdida de Manoa (Eldorado), desapareceram no mistério e não tiveram sorte.


Em Salvador (Bahia), em 1914 , apareceu o primeiro hititólogo da velha escola, na disciplinada pessoa do Dr. Felix Von Luschan, nascido em Hollabrunn perto de Viena em 1854. Antropólogo e médico, membro atuante dos Museus Reais de Berlim, que com os amigos Karl Humann e Otto Puchstein, em abril de 1888 iniciaram escavações no sitio arqueológico de Zinjirli (Turquia), trazendo à luz as ruínas de uma cidadela-fortaleza, confirmando assim, a realidade do grande Império Hitita.

Mas Felix Von Luschan veio ao Brasil, atraído pela escrita que havia no Documento 512, citando a Cidade Perdida, descrita por Richard Burton. Exceto muita confusão e mal-entendidos, fica evidente, quão poderosa e eficiente foi a Sociedade Alemã do Oriente Próximo e a Comissão Oriental de Berlim e como poderosos interesses decidiam o destino das pesquisas arqueológicas do início de século XX . O Dr. Hugo Winckler, assiriólogo alemão (1863-1913), tinha tudo para ser o vilão de uma estória de aventuras: prepotente, racista, astucioso, relaxado, invejoso, doente, desconfiado, antiético - conforme o diário de Ludwig Curtius -, mas possuía naquele momento o indispensável para alcançar o sucesso: a sorte!

A sorte fez com que, no último momento que um dos melhores arqueólogos da época, o britânico Dr. John Garstang, que já recebera a permissão do governo turco para escavar em Boghazkoy (Turquia), mudasse o rumo das coisas e a permissão finalmente caísse nas mãos de Winckler, que era incapaz de atrair a simpatia de quem quer que seja. Sorte! A sorte mudou a história da Hititologia.

O mais apaixonado historiador de Hititologia contemporânea C.W. Ceram, nunca se conformou de uma injustiça: a pouca atenção dada à expedição tecnicamente perfeita de Humann, Von Luschan e Puchstein a Zinjirli (1888) e seu fraco sucesso arqueológico, com aquela expedição amadorística e remendada de Winckler a Boghazkoy, com os rápidos e incríveis resultados obtidos. Ceram até levanta suspeitas, talvez distorcidas por antipatia ou sabia mais? Winckler pré-estabeleceu o resultado? É muito difícil provar, visto que, quando a Hititologia "engatinhava", pegou carona no cuneiforme babilônico. E se consideramos que a expedição do grupo Humann, em 1888, ainda estava respondendo à expectativa que tirava da estagnação os hititólogos, bloqueados pela dúvida crucial - existiu um Império Hitita? Como abrir um processo se os resultados foram tão bons!

Winckler, o filólogo que traduzira a carta ARZAWA de Tell-el-Almarna do Museu Bulaq, estava numa posição privilegiada e podia provar. Como provou e confirmou com as tabuinhas de argila em cuneiforme babilônico de Boghazkoy, ou seja, a cópia hitita, das cartas de Ramsés, o Grande do Egito, a Hattusilis III, rei dos Hatti, de Tell-el-Amarna. Como sempre, a insubstituível importância da escrita, da linguagem e sua interpretação, para que nos chegue a mensagem que atravessa os milênios e nos conte "ao vivo" de mil maneiras, o seu povo, seus usos e costumes, seu saber seu existir, até onde sua civilização chegou e, porque e como desapareceu.

Agora o Brasil se encontra exatamente na mesma encruzilhada arqueológica do fim de século passado para os europeus - existiu um Império Hitita no Brasil? O sitio arqueológico de Ingá é somente a evidência de uma colônia hitita no Brasil? A Elite Incaica dos Andes, de raça branca, era descendente de um Império Hitita na América do Sul? Ainda não sei, mas estou com muita sorte!

Gabriele D’Annunzio Baraldi
www.gabrielebaraldi.arq.br

São Paulo-SP, 1994

Colaborou: Anna Baraldi Holst.

Produção: Pepe Chaves.