Os
estudiosos diante do Misterioso monólito do Ingá
(Parte I de III)
A pedra lavrada do
Ingá é um dos mais estranhos monumentos arqueológicos
que encontrei em
minhas viagens pelo interior do Brasil.
Por J. A.
FONSECA*
De Ingá-PB
Para Via
Fanzine & UFOVIA

Detalhe do
misterioso monólito do Ingá.
O estranho
monólito que compõe a Pedra do Ingá é conhecido praticamente desde a descoberta
do Brasil, pois sabe-se que o mesmo foi citado pela primeira vez em 1.618, no
livro Diálogos da Grandeza do Brasil, atribuído ao português Ambrósio
Fernandes Brandão que, segundo os historiadores, se trata de uma obra
excepcionalmente carregada de sentido doutrinário e ufanista. É provável que
este monumento tenha seu lugar reservado entre os mais intrigantes enigmas
arqueológicos já descobertos em nosso planeta. É sabido que se trata do maior,
mais complexo e mais misterioso conjunto rupestre que reporta a um passado
desconhecido e carrega consigo uma grande quantidade de caracteres e signos
ainda por serem decifrados. Esta colossal pedra cifrada está localizada no
Estado da Paraíba, na Serra da Borborema, município de Ingá, às margens do rio
de mesmo nome, antigo Bacamarte, a 85 km de João Pessoa e a 35 km de Campina
Grande. Na época das chuvas este grande monólito fica parcialmente encoberto
pela água e no tempo seco pode ser visto em sua totalidade, além de que o leito
do rio fica completamente seco, com apenas algumas poças d’água espalhadas em
quase toda a sua extensão.
Como o
acesso deste importante monumento arqueológico paraibano é relativamente fácil,
afirmamos com tristeza que o mesmo vem sendo destruído através dos tempos por
vândalos e exploradores de relíquias arqueológicas, correndo o risco de ser
irreversivelmente inutilizado para futuras pesquisas e análises mais acuradas
de seu conteúdo lítico. Mesmo assim, a Pedra do Ingá continua sendo um
magnífico mistério, constituído de um grande monólito de granito assentado
sobre o leito do Rio Ingá, com cerca de 23 m de comprimento e altura aproximada
de 3,50 m na sua parte mais alta.
As inscrições da Pedra do Ingá se estendem por todo
o seu dorso vertical, numa extensão de aproximadamente 16 metros. São, de fato,
de uma estranheza indescritível e somente vendo-as de perto é que podemos
perceber a complexidade de seus talhes bem elaborados e deduzir que, quanto
mais tentamos retroagir no tempo para atribuir aos caracteres deste acervo
arqueológico uma explicação simplista, de que teriam sido produzidos por povos
primitivos ou indígenas, por exemplo, mais estes se distanciam de uma realidade
palpável e mais seu mistério se densifica.
Pensa-se que suas insculturas foram executadas por
meio de algum tipo de instrumento pontiagudo, que teria sido manipulado por
homens daquela época, semi-bárbaros, até produzir os baixos relevos que ali se
acham incrustados. O que não se pode explicar, entretanto, é que estes signos
possuem um acabamento primoroso, como se tivessem sido elaborados por métodos
muito avançados e não, simplesmente, por intermédio de pancadas ou ranhuras na
pedra com ferramentas comuns. Definitivamente, este magnífico trabalho não
poderia ter uma explicação tão destituída de imaginação como a que lhe é dada
por alguns pesquisadores e não pode, simplesmente, estar ligado a tradições
corriqueiras de povos que, sequer, possuíam alguma forma de escrita.
Por outro lado, não se tem notícia de que haja em
outro lugar, no Brasil ou fora dele, um conjunto de inscrições rupestres que
possam assemelhar-se ao deste monumento arqueológico da Paraíba, tal é a sua
excepcionalidade e sua condição desafiadora, tanto em relação à sua forma e
métodos utilizados, quanto à sua complexidade e execução de sua vasta
petrografia. Além disto, suas insculturas parecem ter sido rigorosamente
planejadas, traçadas e executadas, criando assim uma certa dificuldade junto
aos estudiosos que pretendem transformá-las simplesmente em arte primitiva ou
atribuir a sua feitura aos antigos trogloditas que teriam vivido naquela
região. Pode-se dizer que este formidável mistério paraibano distancia-se,
inequivocamente, de tudo aquilo que tem sido regularmente encontrado e
pesquisado em outros locais do mundo no âmbito da arqueologia, constituindo-se
de algo verdadeiramente ímpar no estudo arqueológico, e, até mesmo, podendo se
dizer que de trata de uma incômoda “pedra no sapato dos pesquisadores”.
Desde a chegada dos conquistadores europeus ao
Brasil que as itacoatiaras (pedras pintadas em tupi) têm sido
encontradas e o questionamento sobre a sua origem teve início. Os antigos
indígenas que habitavam estas terras (e mesmo os dos dias de hoje) sempre foram
unânimes em afirmar que seus autores não foram os seus antepassados e que
aqueles que as “escreveram” pertenceram a um passado bem longínquo, quando
ainda havia livre convivência entre os homens e os deuses. Houve ainda quem
veiculasse uma lenda a dizer que no interior da pedra se encontrava encerrado
um grande tesouro, levando muitos vândalos e gananciosos em busca de riqueza
fácil a tentarem quebrá-la, sem êxito, tirando-lhe apenas algumas lascas e
danificando-a, irreversivelmente.

Detalhes dos enigmáticos caracteres da Pedra do Ingá.
À sua volta podem ser encontrados signos variados e
outros enigmas a serem solucionados. Os estranhos e incompreensíveis caracteres
semelhantes a ideogramas que ali podem ser vistos, espalhados por diversos
lugares, possuem características, aparentemente, muito diferentes entre si.
Alguns destes já se encontram bem desgastados pelo tempo, enquanto que outros
podem ainda serem vistos com grande nitidez, como se tivessem sido fundidos na
pedra. O leito seco do rio mostra inúmeros orifícios escavados na rocha em todo
o seu percurso e se tratam de marcas deixadas pelo movimento da água em
redemoinhos. Assemelham-se a bacias médias e pequenas e muito lisas, devido ao movimento
contínuo da água. Porém, existem alguns poucos destes orifícios, com um
diâmetro de, aproximadamente, 20 centímetros e uma profundidade de uns 40
centímetros, que parecem ter sido feitos com uma grande broca metálica, tal a
precisão com que foram escavados. Suas paredes são lisas, com ranhuras,
semelhantes aos dos furos que são feitos por equipamento metálico cortante e se
diferem muito dos outros que se encontram por ali, mais rasos e deformados.
Enquanto que os demais permitem que se possa ver a atuação da água corrente,
estes outros não guardam as mesmas características e, a nosso ver, não podem
ser assim considerados, como resultado de simples erosões da água sobre a
rocha.
Do lado oposto à itacoatiara do Ingá, vamos
encontrar um outro mistério. Existe ali uma pedra deformada de cor acinzentada,
como se tivesse sido amassada, da mesma forma como o fazemos com o barro,
contendo diversos caracteres gravados em seu dorso. Na sua parte superior
esquerda, há uma depressão semelhante a um pé, como se alguém tivesse pisado
ali, enquanto ela ainda estava mole, deixando uma marca bem profunda. Além
disso, ela emite um sonido semelhante ao do sino quando é tocada com uma pedra
e este som pode ser ouvido, até mesmo, se batermos nela com o nó dos dedos. Parece
oca e emite um som metálico.
Toda esta
região está coberta de enigmas desta natureza, além do maior deles que é a
própria Pedra do Ingá e sabe-se que nas redondezas e em outros lugares mais
distantes existem diversas outras inscrições de caráter estranho, monumentos
megalíticos e histórias variadas sobre cada um deles.
Como já
dissemos, em todo o leito do rio podem ser encontrados muitos caracteres de
cunho desconhecido, que fazem com que o espectador se pergunte qual teria sido
a importância de tudo aquilo para seus idealizadores e artífices ou qual teria
sido seu significado. Considerar, simplesmente, que os agrupamentos humanos na
antiguidade não tinham nada com que se preocupar, senão ficar “desenhando” em
pedras e esculpindo em rochedos, é por demais destituído de criatividade e bom
senso, considerando-se que, em determinados lugares, como na região do Ingá,
por exemplo, tais demonstrações de “vagabundagem” são por demais complexas,
carregadas de simbolismos expressivos, chegando, até mesmo, a alcançar uma
certa exuberância inexplicável. Assim como pode ser observado nas culturas
Marajó e Tapajós, em sua complexa simbologia e arte, um esmerado cuidado
artístico e lógico, também aqui no monólito do Ingá vamos constatar o cuidado
de seus construtores, que se reflete perante os pesquisadores como um sério
problema a ser resolvido. É inegável que o tipo de cultura que teria sido
responsável por este enigmático trabalho rupestre se coloca num grau muito
superior ao de outros “trabalhos” líticos, regularmente encontrados em outras
regiões e para alguns estudiosos seria mais cômodo se registros como estes
jamais tivessem existido.

Seria lícito afirmar que tais caracteres tivessem sido produzidos
por vias naturais, como erosão, segundo alguns ou através de aranhões na pedra
com ferramentas rudimentares?
Sabe-se que os índios cariris que habitavam na Serra
da Borborema, próximo do Ingá, não possuíam um nível de cultura compatível com
o grau de dificuldade que estas insculturas apresentam e não conheciam esses
qualquer rudimento de escrita, apesar de terem uma vida bem mais longeva do que
outros povos que ali viviam. Os pajés de sua tribo eram exímios em trabalhos de
magia e ritos desconhecidos. Diziam que seu povo se originou de uma tribo de
homens sábios que teria vindo de um lago encantado (seriam atlantes?). Quanto à
Pedra do Ingá, diziam apenas que seus escritos estavam relacionados ao deus
Tupã.
Já foram levantadas várias teorias sobre as
enigmáticas inscrições da Pedra do Ingá, como por exemplo, o caso de Léon
Clérot, que sugeriu que se tratassem de representações de plantas estilizadas,
de figuras humanas, de animais e outros sinais desconhecidos. O arqueólogo Alfredo
Coutinho Menezes disse tratar-se de figuras zoomorfas, dentre as quais se
destacam pássaros e répteis, figuras fitomorfas como o abacaxi e espigas de
milho. Mais recentemente, a itacoatiara do Ingá, foi estudada por Jacques
Ramondot, que descobriu numa rocha no leito do rio, um conjunto de inscrições,
bem desgastadas pelo tempo e pela água corrente, que entendeu ser o esboço de
uma constelação. Esta representação assemelha-se a estrelas e mostra pontos
interligados entre si, como num mapa, além de incluir outros signos, como uma
espécie de serpentina e um disco, tipo solar, que parecem fazer parte do
esquema astronômico.
Existem também algumas teorias estranhas a respeito
das insculturas da Pedra do Ingá. Uma primeira afirma que aqueles sinais não passam
de sulcos naturais na rocha, produzidos pelo tempo e suas variantes (chuva,
vento, calor etc.). Para quem conhece este monumento lítico esta teoria seria
classificada de, no mínimo, inapropriada, pois qualquer pessoa (mesmo um
visitante comum) pode notar que se trata de um trabalho executado por mãos
humanas ou um tipo de tecnologia que desconhecemos.
Uma segunda teoria afirma tratar-se de obras
produzidas por indígenas ociosos que habitavam a região, que traçavam
aleatoriamente riscos para indicar caminhos e outros sinais sem grandes
preocupações de manterem coerência nas suas reproduções. Diante da complexidade
das insculturas não podemos também concordar com esta teoria, que se apresenta
pouco realista e radicalmente simplista para explicar algo de tamanha
notoriedade.
Uma terceira teoria, ainda mais absurda, afirma que
os signos da pedra lavrada do Ingá não passam de sulcos produzidos por amolação
de facas e ferramentas indígenas, esquecendo-se seu formulador de verificar que
certos caracteres se encontram a uma altura superior à de um homem comum. Esta
condição obriga-nos a justificar que a precisão das formas insculpidas e a
integridade de seus contornos, por si só, já desmoralizam esta tese, ainda que
sejam observadas por um leigo em arqueologia.
Uma quarta teoria considera que aqueles signos
tenham sido produzidos por visitantes europeus e asiáticos que teriam chegado
até as Américas e se incursionado pelo seu interior, antes de Colombo e Cabral.
Há ainda uma quinta teoria, bem mais moderada, que
relaciona estes signos a uma civilização bem mais remota e muito mais avançada,
que teria vivido em terras brasileiras e se preocupado em deixar gravado em
pedra uma mensagem para as futuras gerações.
Paralelamente, também existe aquela teoria de que
tais caracteres sejam de origem alienígena, registros pétreos de uma raça
extraplanetária que aqui esteve em um passado distante e que teria feito estas
gravações em seu dorso, apresentando certos aspectos de seus conhecimentos
intergaláticos.
Como
referência de uma avaliação séria a respeito deste monumento, podemos citar o
pesquisador Luiz Galdino, que preferiu tratá-lo com a reverência que ele merece
no cenário arqueológico, assim como aos seus caracteres desconhecidos.
Destacamos o seguinte em sua obra Itacoatiaras – uma pré-história da arte no
Brasil: “A pedra do Ingá, com seus relevos de acabamento esmerado
destaca-se, imediatamente, como um exemplo ímpar, diante do vasto acervo de
itacoatiaras espalhado por todo o país. As inscrições são gravadas em
baixo-relevo, mediante sulcos largos e profundos. Nos pontos melhor
conservados, percebe-se, ainda, vestígios de uma antiga pintura que recobria o
fundo dos sulcos”.
E ainda: “Os signos estilizados ao extremo supõem um
prolongado período de evolução e aprimoramento. Estranhamente, esse signário
mostra-se único. Mais fácil imaginá-lo como a obra de um povo estranho que
atravessou a região, não deixando outros testemunhos, do que pensá-lo como a
evolução natural a partir dos exemplares mais primitivos existentes no resto do
país”.

Conjunto de insculturas modeladas da Pedra do Ingá.
O certo em tudo isto é que a Pedra do Ingá tornou-se
presença viva e surpreendente no cenário arqueológico do nordeste brasileiro,
como se se tratasse de algo que não pudesse estar ali onde se encontra, com
seus caracteres incompreensíveis e desafiadores. Se os compararmos com outros
da própria região, estes se fazem tão irreais e absurdos, que não deixam de
causar grande incômodo no meio acadêmico, diante da cultura vigente e dos
rígidos conceitos de análise, que não podem permitir que nenhum acontecimento
no passado da Terra possa se colocar fora dos padrões pré-definidos de verificação
e classificação científica.
Acreditamos, seja esta, talvez a causa de nosso
estarrecimento diante de “realidades” que, como estas, se apresentam muito mais
como ficção do que como possibilidade e muito mais como um desafio inadmissível
com a chancela de inexplicável, do que como algo que precisa ser encarado sob
uma nova perspectiva de pesquisa e análise, e de uma percepção mais acurada
desta realidade.
A Pedra do Ingá é, sem dúvida, um dos mais
expressivos registros rupestres do Brasil perdido nas caatingas paraibanas e o
maior testemunho silencioso de que em passado longínquo o solo brasileiro teria
sido palco de uma cultura avançada que registrou ali parte de seu conhecimento
perdido. Desta forma, podemos tomá-la como prova de que já tivemos uma escrita
pré-histórica no Brasil, face à expressividade e à coerência de seus signos,
aplicados magistralmente lado a lado, apesar de aparentarem, em princípio, uma
certa descontinuidade e desordem.
Temos convicção de que ela esconde uma chave para sua
compreensão e que a mesma se encontra ali, interagindo com seus demais
caracteres. Resta-nos descobri-la. Outro fator que teríamos de acalentar é que
sua análise terá de considerar as condições que estabeleceram a lógica de sua
feitura, na época em que foi lavrada e artisticamente insculpida, pois estas
deveriam ter sido muito diferentes das que temos hoje para estudá-la e
compreendê-la, o que expõe um novo empecilho para identificação de sua chave e
sua decifração.
Acreditamos que tal condição e grau de dificuldade
se devem muito mais ao fato de querermos compreendê-la com o raciocínio atual e
o conhecimento que possuímos hoje, sem nos atinarmos em procurar aprofundar no
tempo (como no caso das interpretações dos códigos maias e egípcios) para
buscar a forma como aqueles povos entendiam a vida na Terra e observavam o céu,
os astros, os planetas, as estrelas, as estações do ano, as variações do tempo
e as mudanças provocadas por estas variações. Um mesmo signo ou ícone que
usamos regularmente hoje, aceito e compreendido por quase toda a população da
Terra poderia, em futuro distante, significar um grande enigma para os
estudiosos, por estar o mesmo muito distante de seu tempo e por tentarem
aqueles analisá-lo sob sua ótica, seus conhecimentos e suas perspectivas.
Estas magníficas insculturas ou moldes na pedra
foram feitas em baixo relevo, em sulcos largos e profundos, tipo meia-cana, com
o objetivo, talvez, de fazê-los perenizar no tempo, o mais longe possível.
Seriam ícones de um tempo perdido no passado da Terra? Ou seriam apenas parte
de um conhecimento milenar esquecido pela memória dos povos?
Segundo os pesquisadores podem ainda ser encontrados
vestígios de que estes signos estiveram cobertos por tinta para, certamente,
fazê-los destacarem-se a grande distância. As formas gravadas na pedra são
variadas e algumas de grandes proporções, assemelhando-se muitas delas a
figuras zoomorfas e antropomorfas, como já foi dito, algumas geométricas,
apresentando, porém, na sua maioria, estruturas de cunho desconhecido. No
entanto, todas elas foram elaboradas com alto grau de complexidade e cuidado.
Diante da excentricidade deste painel lítico
torna-se difícil não considerarmos que possam vir tratar-se de uma espécie de
escrita, pictográfica ou ideográfica, uma vez que seus signos são estranhamente
estilizados, o que exigiria um longo estágio de evolução e aprimoramento, além
de conhecimentos específicos para serem reproduzidos. Sabe-se que a pictografia
representa o estágio mais primitivo da escrita, de forma que cada elemento
deste sistema constitui-se no próprio pictograma. Este, por sua vez, não é
outra coisa que senão a reprodução de um desenho auto-explicativo e de
significado próprio, que está ligado à sua própria forma. Por outro lado, o
ideograma amplia este contexto na representação de sua simbologia, de forma
que, enquanto na pictografia um círculo significa somente o Sol (por exemplo),
no ideograma este poderia simbolizar um atributo do Sol, como a luz e o calor,
ampliando o grau de percepção de um signo.
*J.A. Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista,
estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado
diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do
Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br)
e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.
- Fotos: J.A. Fonseca.
- Produção: Pepe
Chaves.
© Copyright 2004-2008, Pepe Arte Viva Ltda.
Estudos
e opiniões de iminentes pesquisadores brasileiros
(Parte II de III)
A pedra lavrada do
Ingá é um dos mais estranhos monumentos arqueológicos
que encontrei em
minhas viagens pelo interior do Brasil.
Por J. A.
FONSECA*
De Ingá-PB
Para Via
Fanzine & UFOVIA

Diante do elevado grau de dificuldade para
compreensão dos signos milenares do Ingá, faremos a seguir uma breve exposição
de algumas teorias de pesquisadores brasileiros, que se preocuparam em
debruçarem-se sobre sua vasta simbologia, numa tentativa de compreendê-la integralmente.
Ao final, na 3ª parte, destacaremos o trabalho do grande pesquisador Gabrielli
Baraldi e incluiremos a opinião do autor deste estudo e suas observações, após
sua visita a este esplêndido monumento arqueológico brasileiro.
AS
PESQUISAS DE GILVAN DE BRITO
Em primeiro lugar queremos citar o pesquisador
Gilvan de Brito e seu livro “Viagem ao Desconhecido – Os Segredos da Pedra do
Ingá”, que tendo o cuidado de incluir em seus estudos outros registros
rupestres de relevante importância no estado da Paraíba. Neste seu magnífico
trabalho emite a idéia de que no espaço compreendido entre o mar e o Planalto
de Borborema, pode ser encontrada uma grande profusão de material lítico,
pictográfico, ideográfico, dolmens, muralhas de pedra e outras evidências que
indicam a passagem de grupos humanos pela região, povos que tiveram um certo
grau cultural que os permitisse gravar em pedra bruta caracteres sofisticados e
erigir “construções” com características notadamente megalíticas.
Quando Gilvan diz que “o maior e mais importante
sítio arqueológico do Brasil localiza-se, provavelmente, na Paraíba,” haveremos
de concordar com ele, pois quando ali estivemos pudemos ter esta mesma
impressão e depois de compará-la a muitos outros, reforça-mos ainda mais esta convicção.
Assim como outros, também este autor sugere que as inscrições do piso, ao lado
do painel vertical do Ingá, possa fazer referência a conjuntos constelatórios,
apresentando objetivamente seu pensamento em relação àqueles traçados
geométricos com a Constelação de Orion, Peixe Austral e Grus.
Seu estudo, entretanto, se detém mais demoradamente
no grande painel vertical, devido à sua profusão de símbolos, pontos capsulares
e ideogramas, além da sua notável expressividade, delicadeza dos traçados e dos
cortes das insculturas, e sua estranheza. Apesar de os arqueólogos atribuírem a
estes signos, quase sempre, classificações mais comuns, como zoomorfas,
fitomorfas, cosmogônicas, fálicas e antropomorfas, Gilvan acredita que os
mesmos possam ter um significado bem mais contundente. Acena que a Pedra do
Ingá poderia ter sido insculpida com apurada técnica e um conhecimento
específico de seus autores, pois a linhas inicialmente traçadas foram,
posteriormente, gravadas na rocha com fino acabamento e polimento “lembrando
perfurações realizadas através de modernos equipa-mentos de raio laser”,
conforme comenta.
Há uma variedade de formas gravadas neste painel
principal como linhas retas, pontilhadas, espirais, canais paralelos, curvos,
circulares e lineares, mas não se podem ver, conforme observa, figuras
triangulares nem ornamentais. Segundo pensa, tratam-se de símbolos que tentam
materializar uma idéia específica, pois encontrou traços significativos que
fundamentam tal pensamento, formas silábicas e ideográficas que procuram “uma
função determinada na comunicação escrita”. Neste sentido destacou alguns
caracteres (exemplificados no quadro abaixo), para aventar a hipótese de que
somente uma forma de inteligência, é que poderia ter criado aquele painel
ordenado de mensagens cifradas, certamente, com a finalidade de levar até o
futuro as impressões culturais de seu povo. Abaixo apresentamos quadro com
exemplos da classificação tipológica comentada por Gilvan de Brito.

Para Gilvan de Brito as insculturas gravadas em Ingá
devem ter sido obra de um povo que aqui teria vivido em passado longínquo, onde
cada componente desta raça teria oferecido sua contribuição para a feitura
deste magnífico conjunto lítico. Para ele, a comunidade impulsionada pela visão
do artista que havia idealizado o painel incumbiu-se de rasgar a pedra já
marcada pelos contornos riscados por sua mão hábil e deixar para posteridade o
primoroso resultado de seu trabalho. Com cuidado analisa os signos em separado,
comparando a figura esguia do início do painel (em sua parte mais alta) à uma
balança rústica, sugerindo, até mesmo, que a Pedra do Ingá venha a ser um
túmulo de um ilustre visitante que teria ensinado aos moradores da região novos
conhecimentos.
Gilvan faz uma interessante ligação entre a Pedra do
Ingá, as pirâmides de Queops, no Egito, e Theotihuacan, no México, com a
possível localização da Atlântida. Traçando uma linha reta entre as duas
grandes pirâmides, do Egito e do México, e dividindo o Trópico de Câncer
exatamente no meio, entre as duas pirâmides citadas, traça uma linha vertical,
tendo abaixo a localização da Pedra do Ingá e acima, próximo à Groelândia, a
localização da desaparecida Atlântida (ver ilustração abaixo). Tal
interpretação não nos parece inconcebível, porque também acreditamos que existe
uma estreita relação entre este lendário continente desaparecido, o antigo
Egito e os povos Maias. Por que não incluir a Pedra do Ingá e sua complexa
simbologia neste contexto histórico ainda por decifrar, principalmente, se
podemos observar esta situação emblemática entre os mesmos?

Gilvan cita outros pesquisadores que alegam que tais
inscrições teriam sido feitas por habitantes indígenas da região. Entretanto,
discorda dos mesmos, não reconhecendo que as gravações do Ingá tenham, sido
produzidas pela ociosidade e o espírito brincalhão e esportivo dos índios
brasileiros. Avançando em suas pesquisas e utilizando-se de observações feitas
na seqüência de pontos capsulares no alto dos signos insculpidos e nas
representações que lembram a lua, elaborou estudos numéricos e analíticos, chegando
a conclusões muito interessantes que gostaríamos de destacar.
|
ITENS ANALISADOS |
POSIÇÃO OFICIAL |
POSIÇÃO LEVANTADA |
|
Ano Solar |
366 dias (ano bissexto) |
366 |
|
Ano Lunar |
354 dias |
342 |
|
Velocidade Orbital |
3.700 km/h |
3.660 |
|
Perigeu (menor distância entre a Terra e a Lua) |
356.375 km. |
366.000 |
|
Apogeu (maior distância entre a Terra e a Lua) |
406.720 km. |
408.000 |
|
Raio da Lua |
1.700 km. |
1.710 |
|
Inclinação da Órbita |
5,1454º |
5,9 |
|
Inclinação em relação ao equador terrestre |
23,5º |
24 |
|
Distância Terra-Lua (eixo a eixo) |
384.500 km. |
380 |
|
Medida do PI |
3,14 |
3,18 |
|
Diâmetro do equatorial da Lua |
3.476 km. |
3.473 |
|
Área da Lua |
38 milhões km2 |
38 |
|
Densidade da Lua |
3,34 |
3,36 |
|
Distância média Lua-Sol |
149.000.000 km. |
148.200 |
|
Ciclo de Saros (repetição dos eclipses) |
18 anos, 11 dias, 8 horas |
18 |
Gilvan levanta a hipótese de que há vestígios
ideográficos nas insculturas do Ingá, considerando-se que a escrita ideográfica
é caracterizada pela síntese, o que pode ser notado na emblemática conformação
das figuras deste painel milenar e no mistério da técnica utilizada em sua
feitura. Para o mesmo, os caracteres deste monumento paraibano não se
assemelham totalmente aos hieróglifos e alfabetos de outros povos, porém,
argumenta que “os primeiros vestígios identificam-se com as línguas que se constituíram
posteriormente na principal fonte de todos os dialetos existentes, o que nos
levaria a supor na organização daqueles sinais como a raiz das línguas do
passado que deram lugar aos alfabetos hoje conhecidos.” Daí, faz relações com
os signos encontrados em Glozel (França), com os hieróglifos hititas, a escrita
etíope e muitos outros alfabetos, não deixando de mencionar a estranha
simbologia hieroglífica encontrada na Ilha de Páscoa.
As conclusões deste autor, que o mesmo prefere
converter em sugestões, são essencialmente coerentes, considerando-se a
estranheza sofisticada dos caracteres do Ingá e a dificuldade de identificação
destes com outras culturas. Segundo Gilvan “ninguém pode dizer que conhece a
solução de um enigma apenas porque tem idéia a respeito do que possa ser o
objetivo incomum.” E ainda, “que as explicações perdem força quando se observa
que a verdade definitiva não foi atingida e que as teorias apenas procuram
confundir os céticos".
Sugere então, diante das evidências, que o painel da
Pedra do Ingá teria sido utilizado pelos antigos povos da região como meio de
expressão, objetivando deixar para a posteridade uma mensagem relacionada aos
hábitos de seu povo. Alerta, entretanto, que seus autores insculpiram seus
elementos como um quebra-cabeças, exigindo inteligência, precisão e disposição
no trabalho empreendido para sua decifração. Não poderia ser por isto, obra dos
indígenas que habitaram a região, pois sabe-se que tais atributos não faziam
parte (e nem o fazem hoje) da cultura desses grupos que eram naturalmente
indolentes e avessos a trabalhos desta natureza.
Sugere ainda que o sistema simbólico utilizado
poderia estar relacionado a algum ramo da língua indo-européia, por causa da
utilização de pictogramas semelhantes aos da Ilha de Páscoa e sua relação com o
signos não decifrados do Vale do Indo. Finalmente, sugere que sejam efetuados
levantamentos antropológicos mais aprofundados e pesquisas arqueológicas para
auxiliar nos estudos de decifração deste enigmático monumento, que poderia
tratar-se de um verdadeiro repositório de informações sobre o passado de nossa
terra.
A TEORIA DE
FRANCISCO C. PESSOA FARIA
Uma outra teoria foi emitida pelo pesquisador
Francisco C. Pessoa Faria, médico por profissão, que por um período de trinta
anos desenvolveu estudos na Pedra do Ingá. Após análises aprofundadas nos
signos insculpidos neste monumento, concluiu que possuem conotação astronômica
e que a intenção de seus autores foi, objetivamente, deixar uma espécie de
documento perene sobre as observações que haviam feito no firmamento, no sol,
na lua, nas estrelas e nas constelações. Segundo o pesquisador esses
criteriosos observadores milenares decidiram fazer então o registro de
efemérides notáveis de seu tempo, deixando “anotado” em pedra bruta o que
conseguiram perceber sobre o movimento dos astros na abóbada celeste.
Francisco Faria escreveu um livro intitulado “Os
Astrônomos Pré-históricos do Ingá”, onde desenvolveu suas conclusões a respeito
de sua tese astronômica, procurando fazer relações entre as constelações atuais
aos agrupamentos de signos artisticamente “moldados” no monólito paraibano.
Segundo sua teoria certas formas insculpidas
tratam-se de desenhos estilizados das doze constelações zodiacais, como também
podem representar outras constelações. Os pontos capsulares na parte superior
da pedra seriam uma representação da eclíptica (a órbita da Terra em torno do
Sol), representada pela circunferência imaginária que representa a trajetória
do sol na esfera celeste.
Alguns dos signos mais complexos o autor os
relaciona com as movimentações dos grupos estelares durante as estações do ano.
Assim, a pictografia que assemelha-se a um cocar indígena superpondo vários
pontos capsulares justapostos e um signo abaixo destas representações, o autor
relaciona a uma espécie de assinalador do equinócio, podendo desta forma,
significar a mudança de posição do sol do hemisfério norte para o hemisfério
sul. As figuras que se acham abaixo deste conjunto, como a forma antropomorfa,
o círculo seccionado em duas partes e a dupla de pontos capsulares próximo
destes signos, representa-riam fenômenos espaciais e terrestres relacionados
com a efeméride equinocial.
Apesar de sua análise criteriosa o autor afirma que
não é possível estabelecer uma cor-relação rigorosa entre as insculturas do
Ingá e as constelações conhecidas, por duas razões:
1. Não se pode
afirmar que os povos que “trabalharam” os signos destas itacoatiaras possuíam
os mesmos conhecimentos que temos hoje sobre as constelações e o movimento do
céu nas estações;
2. Não temos
como saber se as divisões constelatórias possuíam as mesmas configurações e
posições que possuem hoje no caminho do zodíaco.
Neste sentido, como não se conhece a data correta em
que estas insculturas poderiam ter sido feitas, teríamos um problema adicional
a resolver, pois quanto mais retroagirmos no tempo, mais as probabilidades de
termos uma percepção diferente do céu em relação à sua condição atual se tornam
mais pronunciadas. É provável que há alguns milhares de anos no passado,
tivéssemos uma posição diferente das constelações e até mesmo a forma de
observa-las, traçá-las no céu e interpretá-las, poderiam ser muito diferentes
da forma como o fazemos hoje.
Francisco Faria atento a estes fenômenos não
desconhece as dificuldades de uma interpretação como a que propõe, mas pensa
que não poderia se furtar em apresentar certas coincidências que teria
observado em algumas constelações conhecidas com certos registros nos
petróglifos do Ingá. A nosso ver, seus estudos e suas conclusões não deixam de
ser muito relevantes, pois ajudam a levantar discussões em torno deste
enigmático monumento arqueológico paraibano, estranho demais para as pretensões
de certos estudiosos que prefeririam ter algo mais simples para analisarem, mas
que ali permanece silencioso desafiando a argúcia do intelecto contemporâneo.

ESTUDOS DE
AURÉLIO M. G. DE ABREU
O insigne pesquisador Aurélio M. G. de Abreu aventou
a hipótese de que o monumento do Ingá venha ser parte de “um contexto mais
amplo, ligado diretamente a uma cultura de grande envergadura que se teria
desenvolvido no atual Paraíba”. Complementa o pesquisador que “nesse estado
sobrevivem lendas e citações sobre fatos insólitos, todos ligados à existência
de uma civilização nativa que atingiu o estágio da escrita, gravando longos
textos não só em pedra como também em livros de casca de árvore, localizados e
destruídos pelos religiosos no período colonial”.
Aurélio de Abreu afirma que fora da Paraíba não
existem exemplos de inscrições parecidas com as do Ingá que teriam sobrevivido
ao tempo e à destruição deliberada. Em suas avaliações sobre as mesmas,
pergunta o professor se não teriam os misteriosos habitantes da Ilha de Páscoa
passado pelo Brasil, deixando aqui a marca de sua linguagem, ou se teriam saído
destas antigas terras brasilis os portadores da cultura que se formaria naquela
ilha do pacífico?
OUTROS
ESTUDOS
O pesquisador Fernando Moretti afirma que existem
114 signos na Pedra do Ingá, variando desde cerca de 50 cm. de altura por 3 cm.
de profundidade, representado frutas, répteis, pássaros e estrelas de tamanhos
variados. Aventa a hipótese de que estes sinais possuam semelhanças com os da
cerâmica Marajoara e Tapajônica, afirmando que seu estilo indica uma cultura
superior a dos índios da região ou uma influência muito diferente à
desenvolvida ali. Também Moretti acredita que os caracteres do Ingá sejam muito
parecidos com os da tábua Kohan Rongo - Rongo, da Ilha de Pascia.
Também o prof. Alfredo Coutinho de Medeiros Falcão
encontrou nos diversos pontos justapostos próximo ao painel principal da Pedra
do Ingá uma grande identificação astronômica, como se quisessem mostrar
agrupamentos de estrelas. Emitiu a hipótese de que este conjunto no piso
horizontal se tratasse da própria representação da constelação de Órion, devido
a semelhança dos pontos ali traçados e as estrelas que faz\em parte da mesma.
Muitos pesquisadores não admitem que possa ter
havido uma escrita fonética no Brasil pré-histórico, mas certas inscrições
rupestres encontradas de norte a sul do país sugerem caracteres ligados a uma
linguagem primitiva situada em alguma parte do território brasileiro. Se
analisarmos detidamente a língua tupi-guarani vamos notar que ela é riquíssima
em termos linguísticos, mesmo que dela não conheçamos ainda a estrutura de um
alfabeto, claramente estabelecido, para sustentar seu linguajar nativo e seus
derivados.
A Pedra do Ingá levanta a suspeita de que tenha
havido uma língua primitiva no Brasil. Ao estudarmos com critério seus
caracteres milenares, alvo deste estudo, não podemos deixar de nos surpreender
com suas primorosas reproduções e notável polimento, e não refletir sobre a
existência de um linguajar ideográfico, perdido nas cinzas de nosso passado.
Suas diversas representações estilizadas, algumas desconhecidas, outras se
mostrando como formas zoomorfas, antropomorfas, fitomorfas, cosmogônicas ou
caracteres com definições espaciais bem planejadas, conduzem-nos a pensar que
possam tratar-se, efetiva-mente, de uma espécie de escrita racional, idealizada
e produzida para transmitir conhecimento, apesar de não compreendermos ainda o
seu código secreto
*J.A. Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista,
estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado
diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do
Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br)
e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.
- Fotos e
ilustrações: J.A. Fonseca.
- Produção: Pepe Chaves.
© Copyright
2004-2008, Pepe Arte
Viva Ltda.
ENIGMAS NA PARAIBA
A tese de Baraldi e a conclusão desse autor
(Parte III de III)
A
pedra lavrada do Ingá é um dos mais estranhos monumentos arqueológicos
que
encontrei em minhas viagens pelo interior do Brasil.
Por
J. A. FONSECA*
De
Ingá-PB
Para
Via Fanzine & UFOVIA

O autor J.A. Fonseca
na Pedra do Ingá.
Os
estudos avançados de Gabriele Baraldi
Inegavelmente, as pesquisas de Gabriele Baraldi no
Brasil e, especialmente, na Pedra do Ingá, trouxeram ares novos no estudo da
arqueologia brasileira e, apesar de não serem muito bem recebidas pelo
academismo oficial, apresentaram novas teorias sobre o obscuro passado de nossa
terra.
Em seu livro “Os Hititas Americanos”, com 464
páginas, editado em São Paulo-SP, em 1.997, com tiragem de apenas 500 exemplares
(cuja edição o mesmo custeou), desenvolveu uma tese expressiva e ousada, após
muitos anos de pesquisa no Brasil e no exterior. Nele, o pesquisador afirma que
este monumento paraibano se trata de um documento milenar, escrito em
hieróglifos hititas. Segundo Baraldi, esta privilegiada região da Paraíba, em
Ingá, guarda dois grandes monumentos arqueológicos de longeva antiguidade: a
Pedra do Ingá, propriamente dita, gravada com hieróglifos hititas e a Pedra
Arzawa, que fica próximo da anterior, gravada em cuneiformes também hititas.
Esta última se destaca na região por causa de sua cor expressivamente dourada e
pelas formações em relevo e informes em sua face, os quais foram traduzidos por
Baraldi. Foi ele que a intitulou pela terminologia tupi, Araxa-uá, que
em sua tradução linear para o português significa Trono do Planalto.
Em seus estudos aprofundados e após fazer inúmeras
comparações, o professor Baraldi chegou à conclusão de que havia uma chave
mestra para a decifração destes hieróglifos milenares. Após anos de estudos,
afirma tê-las finalmente encontrado. Para tanto, procurou fundir tais
hieróglifos com a língua tupi, falada pelos autóctones brasileiros. Desta
conclusão, elaborou um compêndio de caracteres e seus respectivos significados,
que se transformou num verdadeiro dicionário de símbolos hititas que, segundo
ele, poderiam ser utilizados na decifração da Pedra do Ingá.
Livro de
Gabriele Baraldi
Para Gabriele Baraldi, este monumento arqueológico
traz um relato muito antigo e dramático, narrando os terríveis cataclismos que
varreram a Terra há cerca de 15.000 anos e como os primitivos brasileiros
teriam perecido nessa grande convulsão telúrica. Não seria de se surpreender se
disséssemos que tal afirmação jamais viesse ter boa acolhida junto aos meios
acadêmicos. E foi exatamente o que aconteceu. Mas, mesmo assim Baraldi
sustentou sua tese até o seu falecimento, pois como estudioso e pesquisador
apaixonado pelo mito que envolve as civilizações do passado, não poderia jamais
omitir-se e deixar de projetar suas idéias muito além das possibilidades
comumente aceitas, preferindo alçar vôo no âmbito das utopias e das hipóteses
menos lineares, do que sujeitar-se a certos dogmas impostos pelo academismo
oficial.

O professor
Baraldi na Pedra do Ingá, ao lado, o seu legendário livro sobre os hititas americanos.
Este insigne pesquisador, brasileiro por opção,
nasceu em San Próspero, Modena, Itália e veio para a América do Sul em 1.950,
estabelecendo-se com sua família (pais e irmãos) na Argentina, onde se tornou
bacharel em Filosofia e Letras em Buenos Aires. Passando pelo Brasil com o
intuito de alcançar posteriormente os EUA, acabou se apaixonando pelos
mistérios arqueológicos desta terra e aqui se estabeleceu definitivamente.
Tendo viajado por diversos países e estudado civilizações antigas, falava fluentemente
quatro idiomas latinos, além de ser escultor, artista plástico e empresário no
ramo da prestação de serviços.
Afirmou Baraldi que na América do Sul havia várias
cidades perdidas relacionadas com civilizações muito antigas e que, uma delas,
era a famosa Ingrejil, no interior da Bahia, que tivera o mérito de descobrir
nos idos de 1984. Em suas pesquisas no local encontrou pequenas elevações com
formas piramidais e formações regulares de grandes blocos de pedra, cortados e
ajustados por intermédio de uma ação deliberada. Segundo o pesquisador, existem
pedras sobrepostas à maneira de monumentos solares, menires alinhados, restos
de paredes colossais e áreas aplainadas artificialmente, além de muitas pedras
cortadas em ângulos retos. Em face disto, sugeriu Baraldi, que Ingregil poderia
ser tão antiga quanto os monumentos arqueológicos provenientes da cultura Inca.
Em 1988 encontrou a Pedra do Ingá que o deixou
excepcionalmente entusiasmado, em mesmo tempo que, perturbado, por causa de sua
estranha mensagem petroglífica. Iniciou então suas pesquisas e ao analisar mais
detidamente suas insculturas, logo sugeriu que se tratavam de hieróglifos
hititas. Afirmou textualmente que a Pedra do Ingá se constituía de uma prova
documental de que teria havido uma civilização muito desenvolvida no passado
mais antigo do Brasil. A partir de então, começou a buscar uma forma de
decifrá-la, comparando seus caracteres com os encontrados na Turquia, antiga
Anatólia, terra dos hititas, por ter encontrado certas semelhanças importantes
entre estes e os da pedra paraibana.
Em seus estudos desenvolveu uma tese de que o antigo
idioma brasileiro tupi corresponderia à escrita hieroglífica da Pedra do Ingá,
grafada em caracteres universais, a qual, ele decidiu chamar de linguagem
protohitita. Para o perspicaz pesquisador Baraldi, o idioma tupi era uma língua
quase universal, uma vez que se assemelhava a diversos outros idiomas do
chamado “Velho Mundo”, que também possuíam signos relacionados ao alfabeto
primevo, universal. Comparando seus vocábulos com a escrita dos povos hititas e
utilizando-se do “corpus epigráfico” do francês Emmanuel Laroche, do italiano
Merigi e do alemão Guterbock para fazer suas análises, concluiu que o idioma
tupi se tratava de um idioma chave, de caráter também universal, o qual, já
seria falado na extinta Atlântida, há cerca de 50.000 anos. Foi assim que
chamou então este idioma falado no Brasil de protohitita, ou seja, esta seria a
língua, através da qual, teria se originado o hitita, falado na antiga Anatólia.
A título de exemplificação incluímos abaixo tabela com alguns dos inúmeros
signos identificados por Baraldi na Pedra do Ingá, relacionados ao protohitita
ou tupi antigo, idioma do povo atlante.

Como as insculturas do Ingá se tratam de signos
perfeitamente incrustados na rocha, com primorosa feitura e acabamento, Baraldi
acreditava que eles foram gravados através de moldes. Segundo o pesquisador, da
mesma forma que os hititas, estes povos também controlavam a energia geotérmica
e para produzir o efeito dos moldes sobre a pedra teriam se utilizado da alta
pressão mecânica e térmica a partir da canalização da lava de um vulcão
extinto. Para ele a Pedra do Ingá fazia parte de um colossal monumento hitita e
que sua posição atual está invertida, como se uma grande força a tivesse virado
e colocado nesta posição. Por isto, seus caracteres teriam de ser analisados de
forma invertida e da direita para a esquerda, para que pudessem ser
compreendidos integralmente.
Na sua ânsia de desbravar mistérios e utilizando-se
deste mesmo idioma, primogenitamente universal, o protohitita, decidiu ir mais
além. Seguindo suas convicções, traduziu outros valiosos documentos históricos
de conteúdo ainda desconhecido, como, por exemplo, o misterioso Disco de
Phaestos que foi descoberto em Creta, na Grécia, no ano de 1908, contendo
signos semelhantes aos encontrados na Pedra do Ingá; as inscrições do ídolo de
Fawcett; os caracteres de uma placa pré-incaica descoberta no Equador; e de
muitos outros documentos arqueológicos ainda não decifrados até o momento.
Chegou até mesmo a afirmar que, entre os hieróglifos
hititas e protohititas, encontrou signos semelhantes aos gravados numa placa
metálica que teria sido encontrada no interior do UFO acidentado em Roswell,
nos EUA, em 1947. Apoiando-se em suas pesquisas e convicções alicerçadas no
conhecimento e na ousadia de desbravador de mistérios, afirmou, finalmente, que
a língua protohitita seria uma espécie de esperanto cósmico que teria vindo do
espaço exterior e se estabelecido na Terra em um passado desconhecido. Afirmou
ainda que existem muitas semelhanças entre os caracteres insculpidos na Pedra
do Ingá e os que podem ser vistos em outras partes do Brasil, assim como, em
relação às famosas inscrições “rongo-rongo” da Ilha de Páscoa e de algumas
regiões da Índia.
As idéias propostas por Gabriele Baraldi são
evidentemente ousadas, mas fundamentadas em estudos sérios e comparações
consistentes. Seria, portanto, difícil para qualquer pesquisador atento
descartar as propostas levantadas em seu livro “Os Hititas Americanos” ou
relegar a um plano secundário o resultado de seus árduos estudos no Brasil. Em
face do elevado grau de dificuldade em que se encontram os estudiosos diante do
mistério do Ingá, gostaria de sugerir que estes se utilizassem das conclusões
deste iminente pesquisador e venham persistir na busca de explicações para a
enigmática simbologia incrustada neste monumento arqueológico, uma vez que este
não pode ser simplesmente ignorado ou classificado ao lado de outras
manifestações primitivas no Brasil, evidentemente, relacionadas a pequenos
agrupamentos humanos em estágios primários de evolução.
A opinião do autor deste artigo
Como vimos, em geral, existem duas vertentes que têm
sido comumente adotadas pelos pesquisadores quando tratam das inscrições
rupestres encontradas no Brasil:
·
uma que admite que estas foram produzidas por visitantes estrangeiros como egípcios,
gregos, fenícios, hebreus, chineses, etc., em visita e exploração a estas
terras em passado longínquo;
·
uma outra, que admite que tais inscrições se tratem de registros de povos
autóctones que os produziram sem nenhuma intenção ou orientação racional, sendo
apenas resultado da ociosidade dos membros de suas sociedades, de forma
continuada e por sucessivas gerações.
No caso específico da Pedra do Ingá ousaríamos
emitir uma outra hipótese, em parte, já adotada por eminentes estudiosos no
Brasil: a de que alguns destes registros, bem concatenados, estejam
relacionados a uma antiga civilização, desaparecida há milênios, que teria se
dirigido para um “outro mundo” e deixado ali gravado, ao seu belo gosto e
segundo seus conhecimentos técnicos e filosóficos, uma indicação de sua
presença que poderia ser, no futuro, decifrada por homens de ciência e de fé.

Inscrições no leito do rio Ingá ainda não decifrados
Em nossas pesquisas sobre os enigmáticos caracteres
encontrados no Brasil, destacamos os da Pedra do Ingá e sabemos de antemão, que
é assunto de conotações complexas, sendo, portanto, excepcionalmente difícil
compreender sua presença em território brasileiro ou seu conteúdo simbólico,
integralmente.
Entretanto,
não podemos negar que em toda a sua extensão ela foi “trabalhada” com maestria,
parecendo ter sido “lavrada” para em seguida lhe serem aplicados, em baixo
relevo, uma grande variedade de símbolos de tamanhos e expressões variados,
artisticamente entalhados. A impressão que temos quando a observamos é que, de
alguma forma, ela teria sido amolecida e as figuras que ali se acham gravadas
teriam sido moldadas em seu dorso, da mesma forma como podemos ajustar um
objeto sobre uma placa de argila úmida, deixando gravar seus contornos
profundos e precisos.
Em geral, quando os pesquisadores examinam a Pedra
do Ingá, tendem a afirmar que os símbolos gravados em seu dorso foram
produzidos por povos primitivos que, se utilizaram de ferramentas rudimentares
ou pedras pontiagudas para executar seu trabalho. Em nossas observações in
loco, preferimos acreditar em uma outra hipótese que passamos a alimentar
em nosso íntimo sobre a gravação destas misteriosas figuras.
Quando era jovem, trabalhava com meu pai numa
fundição de sua propriedade, fabricando peças de alumínio e o trabalho era
feito através de moldes aplicados em terra úmida. Meu pai me ensinara a fazer
as peças em caixas de madeira, ajustadas umas às outras, onde eram moldadas e
depois fundidas com alumínio líquido. Quando colocávamos o molde na terra e a
socávamos para esta compactar-se em volta dele, sua forma ficava ali estampada,
perfeitamente recortada e sem arestas, como uma cópia fiel do modelo utilizado.
Perplexo, verifiquei que as insculturas da Pedra do Ingá se assemelhavam
grandemente a este processo de produzir moldes bem acabados, sem arestas e
perfeitamente moldados.
Paralelamente, lembrei-me que havia lido sobre uma
história contada pelos antigos Incas, na qual, relatavam que seus “engenheiros
construtores” possuíam uma estranha fórmula que permitia o amolecimento da
pedra e dos metais, para trabalhá-los em seguida e molda-los à sua vontade.
Segundo diziam, havia uma planta que produzia uma espécie de sumo com o qual os
artífices trabalhavam, fazendo com que a pedra e o metal tomassem consistência
de barro, quando então, poderiam ser moldados segundo o gosto de seu
manipulador.
Observando os signos moldados no monólito do Ingá, passei
a acreditar que estes somente poderiam ser sido elaborados se a pedra estivesse
amolecida, como barro, de forma que pudesse receber os contornos tão bem
delineados e sem arestas, ali reproduzidos. Somente através de uma técnica bem
estruturada, pensei, poderia aqueles caracteres ganhar seus perfeitos contornos
e perenizar sua mensagem, conforme o desejo de seus idealizadores e artífices.
Examinando detidamente suas figuras e pontos
capsulares fiquei ainda mais convencido desta hipótese, pois o que tínhamos
diante de nossos olhos não poderia ser tratado da mesma forma que as muitas
outras obras líticas encontradas no Brasil e no mundo. Os pontos capsulares
lembravam-me depressões produzidas por bolinhas de gude colocadas de forma
justaposta sobre a argila, ou se os imprimíssemos sucessivamente, segundo o
número de pontos que desejássemos. Percebemos que o resultado deste experimento
se mostrava tão semelhante ao que víamos gravado na Pedra do Ingá, que passamos
a reforçar nossa idéia de que aqueles signos também pudessem ter sido
produzidos por intermédio de moldes pré-fabricados, impressos na pedra mole.
Como pode
ser notado por quem quer que deste monumento se aproxime e, ao contrário de
outras insculturas em pedra, abundantemente encontradas no Brasil, o acabamento
das figuras do Ingá é perfeito, sem arestas e com contornos retilíneos,
difíceis de serem conseguidos através de uma execução manual ou através de
instrumentos primitivos. Verificamos que estes são exatos, sem rebarbas ou
quebras provenientes de um trabalho executado sob ação de ferramentas
cortantes, pedras ou outro instrumento de corte que tivesse sido utilizado
neste empreendimento.
É provável que o monólito do Ingá seja o mais
importante “documento” pré-histórico do Brasil, pois sua presença no interior
inóspito do nordeste brasileiro já tem causado muitos desconfortos junto aos
pesquisadores, obrigando-os a tratarem-na com cuidado especial.
Apesar disto, os arqueólogos ainda não se
manifestaram objetivamente para explicar a origem deste gigantesco e excêntrico
painel de símbolos em pleno nordeste brasileiro, que continua desafiando o
tempo, a tecnologia e a argúcia destes estudiosos.
Pela profusão de símbolos contidos neste painel
temos a impressão de que seus autores pretenderam transmitir uma idéia ou uma
linguagem específica de seu tempo e que seu conteúdo lítico pode ser conhecido,
por intermédio de um código, ocultado, propositadamente, junto de seus
contornos estilizados.
Alguns pesquisadores concordam que os sinais gravados
em Ingá possam tratar-se de uma elaborada escrita secular, que teria sido
gravada para perenizar eventos de grande importância. Chegou-se mesmo a
compará-la com a escrita da Ilha de Páscoa, os famosos caracteres
“rongo-rongo”, pela semelhança de vários signos encontrados em ambas as
localidades. De fato, há muitas semelhanças entre estes caracteres brasileiros
e os pascoanos, podendo-se dizer que ambos poderiam ter sido originados de uma
mesma raça. Para efeito de comparação, este autor elaborou o quadro abaixo
procurando comparar estes signos, apontando certas semelhanças em muitos deles.

Nas
proximidades do monólito ingaense, podem ser encontrados outros registros
rupestres e curiosas formações rochosas. Na base que forma o seu piso, por
exemplo, podem ser observadas pequenas depressões já desgastadas pelo tempo,
formando uma espécie de painel de formas estelares, o qual foi batizado com o
sugestivo nome de “tábua astronômica”. Neste painel pode ser visto um conjunto
de pontos capsulares e signos esparsos, parecendo estar ligados entre si, como
estrelas numa constelação. Alguns autores associam este painel estelar à
constelação de Orion e fazem ligações entre seus pontos capsulares e seus
signos, mostrando uma figura expressivamente curiosa. Inspirado nestes estudos
o autor desenvolveu também um breve estudo (veja ilustração abaixo)
relacionando os pontos capsulares do painel do piso com a referida constelação,
considerando que a forma sinuosa ali gravada estaria relacionada com as três
estrelas centrais, conhecidas como Três Marias ou Cinturão de Orion.
Quanto ao painel das incríveis figuras do Ingá
podemos não compreender ainda o seu significado pleno, porém, seu conjunto,
harmonia e justaposição de ícones, conduzem-nos a atribuir-lhe uma
classificação privilegiada, considerando sua estrutura fundamentada numa certa
lógica e na intenção de seus autores. Consideramos ser inadmissível que vejamos
estes registros apenas como um conjunto de símbolos desconexos, produzidos ao
acaso ou gravados aleatoriamente sem um critério pré-estabelecido, só pelo fato
de não termos ainda conseguido compreendê-los, mesmo que parcialmente.
Pode ser que não nos queiramos ater à sua
complexidade instigante e que pretendamos até mesmo ignorar sua incômoda
presença na região inóspita do sertão paraibano. Porém, não seria razoável que
os queiramos comparar aos inúmeros rabiscos desconexos que podem ser
encontrados em rochas e cavernas por todo o território brasileiro, os quais,
certamente, teriam sido produzidos por homens primitivos, segundo sua vontade e
meios disponíveis.

Constelação de Orion e proposta deste autor para os signos em
Ingá.
Quando nos decidimos emitir nossa opinião sobre a
Pedra do Ingá, nós o fizemos sob fundamentos em observações in loco e
apoiados nos “achados arqueológicos”, fora do tempo, que têm sido encontrados
por toda a face da Terra. Isto, por si só, vem servir de firme apoio ao nosso
pensamento, no sentido de nos permitir imaginar que também aqui no Brasil,
podem ser encontradas obras remanescentes de um pretérito longínquo, que pode,
perfeitamente, não se coadunar muito bem com a história que queremos seja
oficializada sobre este mesmo passado.
Tais observações podem configurar-se como algo
insólito demais diante dos pesquisadores ou até mesmo de formas excessivamente
perturbadoras, mas sua existência, pura e simples, obrigam-nos a admitir que
existem muitas outras hipóteses que não aquelas que são ferreamente sustentadas
por certos segmentos do conhecimento tradicional.
Reportando aos “achados” retrocitados e para
auxiliar-nos em o nosso pensamento e encerrar esta nossa exposição, queremos
citar o pesquisador norte-americano David Hatcher Children e seu livro A
Incrível Tecnologia dos Antigos, onde apresenta certas descobertas
incômodas para os pesquisadores. Uma delas, fala de um fragmento de feldspato
retirado da mina de Abbey, Nevada, em novembro de 1869, do tamanho de um punho
humano, que continha em seu interior um parafuso metálico de uns 5 cm, que
teria a idade de alguns milhões de anos. O autor citado menciona que “os
arquivos históricos estão repletos de relatos estranhos sobre objetos
inexplicáveis” encontrados em diversos lugares da Terra.
O terraço de Baalbek, próximo a Beirute, por
exemplo, é uma prova insofismável de que nosso passado vem ocultando algo de
relevante importância para a compreensão da história da raça humana. Conforme
explica, uma parte deste terraço é constituído por três grandes blocos de
pedra, cortados, lavrados e ajustados de forma justaposta, os quais,
especialistas mais conservadores avaliaram ter um peso individual de cerca de
750 toneladas cada um. E o que é mais surpreendente é que estes monumentais
megálitos foram levantados cerca de 6 metros para que pudessem apoiar-se sobre
outros blocos de pedra colossais, com cerca de 50 toneladas cada um. Não é algo
espantoso demais para uma raça que teria vivido há milhares de anos e sem uma
tecnologia específica?
E quanto aos incríveis monumentos pétreos e
construções com seus cortes e ajustes de precisão inacreditável nas fortalezas
Incas, como Sacsayhaman, Tiahuanaco e outras estruturas megalíticas desta
região?
Não devemos nos estender em outras citações que,
certamente, se perderiam numa relação interminável e não é esta nossa intenção.
Queremos apenas mostrar que existe muita coisa a ser explicada sobre a história
da raça humana, incluindo aí, a misteriosa simbologia da Pedra do Ingá que,
certamente, estaria relacionada a um desses tempos mais remotos e desconhecidos
de nossa história.
É nosso pensamento que a resistência em aceitar que
tenha havido uma grande civilização no passado mais remoto da Terra, mais
confunde do que explica a teoria da evolução humana e não pode justificar a
contento os milhares de objetos e construções colossais que têm sido
encontrados regularmente em todos os recantos de nosso planeta.
*J.A. Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista,
estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado
diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do
Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br)
e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.
Bibliografia:
· Baraldi,
Gabriele D’Anunzio, Os Hititas Americanos, Editora Imega Instituto de
Cultura Megalítica, São Paulo, 1997;
· Brito, Gilvan
de, Viagem ao Desconhecido – Os Segredos da Pedra do Ingá, Centro
Gráfico do Senado Federal, Brasília, 1993;
· Faria,
Francisco C. Pessoa, Os Astrônomos Pré-históricos do Ingá, Ibrasa -
Instituto Brasileiro de Difusão Cultural Ltda., São Paulo, 1987;
· Galdino,
Luiz, Itacoatiaras – Uma Pré-história da Arte no Brasil, Editora Rios,
São Paulo, 1988;
· Revistas Planeta.
- Fotos e
ilustrações: J.A. Fonseca.
-
Produção:
Pepe Chaves.
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